O texto que segue foi extraído do site http://mariazenith.wordpress.com/2013/06/15/horto-de-celia/#comments da Mocidade Espírita Maria Zenith Pessanha. Resolvi copiá-lo integralmente devido a importância do ensinamento. Recomendo, porém, a quem desejar, que acesse o dito site para se deliciar com outros textos muito bem escritos pela lavra de Pedro Tavares.
Basicamente, o escrito de Pedro Tavares remete a um diálogo travado entre as personagens Helvídio e Célia, estando esta na condição de Irmão Marinho, para preservar a sua verdadeira identidade, de filha de Helvídio. Este diálogo foi extraído do romance "50 Anos Depois", do espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier.
Os destaques em negrito são do autor do texto e os sublinhados são meus. Vamos ao texto.
Palavras de Célia Lúcius, enquanto Irmão Marinho, ao seu próprio pai, Helvídio Lúcius, no Mosteiro de Alexandria. Helvídio procurava exaustivamente a sua filha, e durante a busca, chegou ao Irmão Marinho, para aconselhar-se. Célia percebeu que ainda não era o momento de revelar-se ao pai, e ofertou-lhe uma grande lição, que será também para nós…
“Meu amigo, antes de tudo precisamos confiar plenamente em Jesus, observando em todos os nossos sofrimentos a determinação sagrada da Sua sabedoria e bondade infinitas! Não desprezemos, porém, o tempo, a lastimar o passado. Deus abençoa os que trabalham e o Mestre prometeu amparo divino a quantos laborem no mundo, com perseverança e boa vontade!… Se ainda não reencontrastes a filhinha carinhosa, é necessário dilatar os laços do sangue, a fim de que eles se conjuguem nos laços eternos e luminosos da família espiritual. Deus velará por vós, desde que, para substituir o afeto da filha ausente, busqueis entender o coração de todos os desamparados da sorte… Há milhares de seres que suplicam uma esmola de amor aos semelhantes! Debalde mostram os braços nus aos que passam, felizes, pelos caminhos floridos de esperanças mundanas.
Conheço Roma e o turbilhão de suas misérias angustiosas. Ao lado das residências nobres das Carinas, dos edifícios soberbos do Palatino e dos bairros aristocráticos, há os leprosos da Suburra, os cegos do Velabro, os órfãos da Via Nomentana, as famílias indigentes do Trastevere, as negras misérias do Esquilino!… Estendei vosso braço às filhas dos pais anônimos, ou dos lares desprotegidos da fortuna!… Abracemo-nos com os miseráveis, repartamos nosso pão para mitigar a fome alheia! Trabalhemos pelos pobres e pelos desgraçados, pois a caridade material, tão fácil de ser praticada, nos levará ao conhecimento da caridade moral que nos transformará em verdadeiros discípulos do Cordeiro. Amemos muito!… Todos os apóstolos do Senhor são unânimes em declarar que o bem cobre a multidão de nossos pecados! Toda vez que nos desprendermos dos bens deste mundo, adquirimos tesouros no Alto, inacessíveis ao egoísmo e à ambição que devoram as energias terrestres. Convertei o supérfluo de vossas possibilidades financeiras em pão para os desgraçados. Vesti os nus, protegei os orfãozinhos! Todo o bem que fizermos ao desamparado constitui moeda de luz que o Senhor da Seara entesoura para a nossa alma. Um dia nos reuniremos na verdadeira pátria espiritual, onde as primaveras do amor são infindáveis. Lá, ninguém nos perguntará pelo que fomos no mundo, mas seremos inquiridos sobre as lágrimas que enxugamos e as boas ou más ações que praticamos na existência terrena.
Sim, há um reino de luz onde o Senhor nos espera os corações! Façamos por merecer-lhe as graças divinas. Os que praticam o bem são colaboradores de Deus no infinito caminho da vida… Lá, não mais choraremos em noite escura, como acontece na Terra. Um dia perene banhará a fronte de todos os que amaram e sofreram nas estradas espinhosas do mundo. Harmonias sagradas vibrarão nos Espíritos eleitos que conquistarem essas moradas cariciosas!… Há! que não faremos nós para alcançar esses jardins de delícia, onde repousaremos nas realizações divinas do Cordeiro de Deus?! Mas, para penetrar essas maravilhas, temos de início o trabalho de aperfeiçoamento interior, iluminando a consciência com a exemplificação do Divino Mestre.”
Há que se destacar a relação estabelecida entre o passado e o presente, com vistas ao futuro. Lamentar os erros do passado é desperdiçar o tempo. Mas a maneira correta de construir o futuro, apagando os desvios do passado é produzindo o bem no presente.
Repetindo a declaração do apóstolo Pedro de que o amor cobre a multidão dos pedados, querendo com isso esclarecer a força restauradora do Bem para suprimir todas as nossas omissões, porém atribuindo-a a todos os apóstolos do Senhor, e dizendo mesmo que existe unanimidade entre eles neste entendimento, Emmanuel reforça
Vejamos, da mesma forma, a relação existente entre a caridade material e a caridade moral. O autor de "50 anos Depois", por intermédio da personagem Célia Lúcius, sinteticamente esclarece esta relação ao afirmar que a caridade moral é decorrência da caridade material. Desta maneira, o iluminado autor, amplia a compreensão do capítulo XIII, item 9 de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" ao mostrar o vinculo existente entre as duas espécies de caridade.
Ao recomendar que o pai se dedicasse ao pobres de Roma, Célia, a personagem, reproduzia o referido item de "O Evangelho...": [...] Direi ainda: não mais pobreza, porquanto, do supérfluo da mesa de cada rico, muitos pobres se alimentariam e não mais veríeis, [...], pobres mulheres arrastando consigo miseráveis crianças a quem tudo faltava. Quando Célia, após elencar os necessitados de Roma, recomenda que Helvídio que converta e distribua o supérfluo financeiro em recursos alimentares e vestuários para os desamparados, é Emmanuel que está falando pela boca da personagem e parafraseando o referido item 9.
Emmanuel, assim, reafirma que a caridade material é a mais fácil de ser praticada, e com faz uma inversão do ensino do referido item que trata da caridade, onde vemos a mensagem do espírito Irmã Rosália: Desejo compreendais bem o que seja a caridade moral, que todos podem praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de ser exercer-se.
O interessante é que o mentor de Chico Xavier, após afirmar a relação entre as duas espécies de caridade, diz que o conhecimento da caridade moral é que nos transformará em verdadeiros discípulos de Jesus. Assim, ele coloca a caridade moral num nível proeminente enquanto a caridade material seria um vestíbulo, um treinamento para a caridade moral.
Portanto, ai está a importância da pratica e do desenvolvimento da caridade material nos Centros Espíritas. Ela se constitui, então, em uma atividade educativa do espírito. Se passarmos a ver tais atividades como carregadas de sentido pedagógico, embora permaneçam exatamente como antes, adquirem um novo sentido. Todavia, não devemos confundir a caridade material com o assistencialismo, pois este, embora seja, sem dúvida, uma expressão do Bem, não apresenta o sentido educativo presente naquela. O assistencialismo produz dependência do assistido em relação ao assistente enquanto a caridade material ajuda libertando, promovendo o assistido, educando-o para a autonomia, para a independência material e psicológica.
Somente ao conquistarmos o conhecimento da caridade moral é que nos tornamos colaboradores de Deus.